17 de jun de 2014

A moça pecadora apareceu-me de branco




A moça pecadora apareceu-me de branco
Toda de cetim branco bordado de vidro e prata.
A cintilante moça pecadora tinha um rosto
de quinze anos.

(Oh, como era belo teu rosto de quinze anos:
belos teus louros cílios,
teus olhos de água-marinha com raios dourados...

Tuas mãos de quinze anos, longas, límpidas, claras,
de unhas cor de perola, 
tuas mãos inocentes!)

E a moça ria-se entre arvores ondulantes,
e era uma ondina saída de algum rio,
e seu vestido era de luz e de água.

Quero encontrar essa moça, quero encontrá-la:
quero ver se ficou sobre ela um pouco desse brilho,
dessa alvura, dessa juventude, dessa castidade
com que me apareceu no sonho deslumbrante,
tênue como o luar:

1959


Cecília Meireles
In: Poesia Completa
Sonhos (1950-1963)

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