25 de mai de 2009

VENS SOBRE NOITE SEMPRE


Vens sobre noite sempre. E onde vives? Que flama
pousa enigmas de olhar como, entre céus antigos,
um outro Sol descendo horizontes marinhos?

Jamais se pode ver teu rosto, separado
de tudo: mundo estranho a estas destas humanas,
onde as palavras são conchas secas, bradando

a vida, a vida, a vida! e sendo apenas cinza.
E sendo apenas longe. E sendo apenas essa
memória indefinida e inconsolável. Pousa

teu nome aqui, na fina pedra do silêncio,
no ar que freqüento, de caminhos extasiados,
na água que leva cada encontro para a ausência

com amorosa melancolia.


Cecilia Meireles
In: Solombra -1963-

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